Autora: Thaisa de Jesus Arruda Moreschi
Na dissertação intitulada Opressões epistêmicas: Uma análise sob a perspectiva feminista, tenho como objetivo investigar os fenômenos sociais de opressão e da opressão epistêmica utilizando como ferramenta de análise a Teoria feminista de ponto de vista. O objetivo inicial é compreender como o conceito de opressão é compreendido na teoria política feminista e como trabalhos do campo da filosofia política integram modificações a esse conceito. Em um primeiro momento, tenho como foco as propostas de Iris Marion Young (1990) e Ann E Cudd
(2006), tendo como foco uma visão social e histórica da formação e modificação do conceito de opressão. Em seguida, direciono essas análises para o campo da epistemologia social. Especialistas da área vêm se empenhando em compreender estruturas sociais e epistêmicas
que podem gerar um tipo distinto de opressão: a opressão epistêmica. Essa noção tem gerado discussões frutíferas na compreensão não somente do aspecto social da opressão, mas também nas relações epistêmicas entre agentes e grupos sociais. Nesse sentido, as discussões da segunda parte do trabalho são pautadas no debate proposto por Miranda Fricker (2007) e Kristie Dotson (2012; 2014), ambas autoras de destaque no campo da epistemologia social. Busco apresentar brevemente a teoria da injustiça epistêmica de Miranda Fricker, para que seja possível compreender como surge a crítica de ampliação e apontamentos de Dotson em sua teoria da opressão epistêmica. Para obter um entendimento mais aprofundado do debate sobre opressão epistêmica, recorro à epistemologia feminista de ponto de vista, pois essa abordagem é ampla e pode trazer ferramentas conceituais que podem auxiliar na compreensão de algumas questões epistemológicas, dentre elas, a influência da posição social de marginalização na produção e transmissão de conhecimento.