Epistemologia da ignorância e injustiças epistêmicas: O fenômeno da ignorância segundo Charles W.Mill, Miranda Fricker e José Medina

Autor: Luis Guilherme Santos Rocha Resumo: Esta dissertação propõe uma ampliação do conceito de ignorância, tradicionalmente visto como a ausência de conhecimento, apresentando-o como um fenômeno sócio epistêmico multifacetado. A ignorância é abordada como uma construção ativa, frequentemente vinculada a dinâmicas de poder e exclusão social, com ênfase em sua dimensão política. No primeiro capítulo, são discutidas as facetas da ignorância proposicional, ética e política, destacando como a ignorância é instrumentalizada para justificar desigualdades sociais e silenciar vozes críticas, especialmente por meio da exclusão epistêmica e hermenêutica. No segundo capítulo, explora-se a “ignorância branca” e a “marginalização hermenêutica” como formas de exclusão e invisibilização de grupos marginalizados, mantendo uma visão de mundo incompleta e injusta. O terceiro capítulo aborda a resistência epistêmica, com base nas ideias
de José Medina, propondo uma epistemologia crítica voltada para a inclusão e justiça epistêmica, reconhecendo a importância de uma pluralidade de saberes. A dissertação conclui que superar a ignorância não se limita à aquisição de informações, mas requer uma transformação ética e crítica das estruturas que sustentam o desconhecimento intencional e estruturado, destacando a epistemologia da resistência como um caminho