Sensibilidade e arte como forças de uma cultura da liberdade em Herbert Marcuse

Autor : Evando Aparecido Gasque Resumo: Nessa dissertação, procuramos compreender a evolução do pensamento do filósofo Herbert Marcuse acerca do papel da cultura tanto na manutenção quanto na superação das contradições típicas das sociedades capitalistas avançadas. Para isso, recorremos à análise de suas obras, sobretudo de suas discussões estéticas. Gravitamos nos quarenta anos
desdobrados da década de 1930 até a de 1970 para avaliar como o pensador oscila sua posição a respeito da função das produções artísticas tanto na negação quanto na afirmação da dominação individual e coletiva perpetrada pelo modelo social vigente, que se estrutura em uma utilização restritiva da razão, a qual, nesse registro, é sobreposta à dimensão sensória. Defendemos que, pela análise do pensamento de Marcuse, em especial de suas discussões sobre psicanálise, estética e a dinâmica dos movimentos sociais, é possível
encontrar uma proposta consistente que não se restringe à possibilidade de negação da ordem estabelecida mas, de modo mais abrangente e decisivo, propõe uma mudança qualitativa do âmbito individual que se estende à totalidade social, o que pode fortalecer e guiar a existência harmonizada pela liberdade.