Heidegger e Verdade: Do juízo à relação desveladora com a existência

Autor: Triana Gonçalves Ramires

Resumo: O presente trabalho se debruçou sobre textos selecionados da fase inicial do filósofo Martin Heidegger que fundamentam o caminho de uma ontologia para o conceito de verdade, que pretendeu o filósofo ao reunir denso conjunto de críticas ao chamado conceito tradicional de verdade, que vigorou na Filosofia desde o período medievo sem o que ele indica como uma devida analítica. Através do método fenomenológico, e tendo por pano de fundo a recolocação do problema do Ser para a ontologia fundamental, um recorte dos seus textos dos Primeiros Seminários Friburguenses até sua obra Ser e Tempo é realizado nos capítulos I e II, e são levantados os aspectos gerais que evidenciam a necessidade de mudança do modo de pensar a verdade e qual é o seu fundamento. Então, no capítulo III e na Conclusão, sob a leitura do texto de transição “Sobre a Essência da Verdade” (1931), tentamos aponta o desenvolvimento da verdade como desvelamento em ambos os níveis da analítica: quanto aos enunciados e quanto a história do homem, a existência. O objetivo se divide em: mostrar como as pretensões de Heidegger não eram oferecer um diferente ou melhor conceito de verdade, que viria a rivalizar com os já existentes; ele também intentou reposicionar o conceito tradicional lógico-semântico para um nível secundário frente a um modo de pensar que estabelece um fundamento, antes nunca apresentado.Para tanto, Heidegger busca realizar um retorno a leitura dos filósofos gregos antigos, e
neles traz a lume o sentido original de verdade como alétheia, que significa “retirar algo da ocultação”, “descoberta”. Em uma analítica existencial, mostra então como alétheia constitui o aspecto da abertura do Ser-o-aí, e como esta abertura é o elemento que atrela todo o conhecer a dinamicidade da própria existência, e como esse panorama justifica a impossibilidade de verdades absolutas.