Dialética Grega: de Zenão a Aristóteles como um caminho às práticas de Investigação

Autor: Rodrigo Antonio Gino Venceslau

Resumo: Esta dissertação tem por escopo compreender, apresentar e tratar as principais concepções da dialética grega e sua natureza investigatória como caminho às práticas de investigação. Com Zenão de Eleia, discípulo de Parmênides, um dos mais famosos da escola eleáticas, escola que defendia questões de caráter lógico, metafísico, monista e contra a noção de movimento. Zenão se tornou famoso por pelo menos duas razões, a primeira por sua técnica argumentativa, a segunda por levar o argumento dos adversários ao paradoxo. Ao invés de negar a posição do adversário Zenão iniciava afirmando tal posição e, em seguida, ao explicitar a tese a levava ao absurdo para só então refutá-la. É justamente dentro dessa perspectiva que Zenão se tornou um dos primeiros filósofos a ter descoberto o élenchos, ou seja, o método de refutação como um dos modos mais seguros segundo Aristóteles para examinar uma tese. Nos escritos de Aristóteles a dialética é considerada um sucedâneo, uma auxiliar da ciência e da filosofia, um tipo de raciocínio, uma ferramenta na produção de argumentos, de obras, da autoprodução dos homens. Nosso interesse é mostrar a dialética grega como uma disciplina de exercício técnico com regras e teoria, que pratica a refutação como o modo mais seguro de pôr a prova um argumento e provar a sua aptidão. Nós nos concentramos no fato de ela ser uma serva da ciência, e como serva, ela não se ocupa da verdade. E, tendo em conta não poder chegar à verdade, essa arte se mostra satisfeita com o verossímil (eikos), ou seja, com aquilo que parece provável por ser compartilhado pela maioria (endoxas) ou pelos sábios. É aquela que procura permanecer nos limites entre a opinião (doxa) e a ciência (episteme). Em suma, mostraremos a dialética grega como referência a busca pela verdade, mostrando que a mesma problemática que vai dos eleatas ao hereclatianos, dos sofistas a Platão e que anda também sob os domínios de Aristóteles, busca defrontar a ameaça do devir, e proporcionar uma certa estabilidade. Ainda com Aristóteles veremos, ao final, que também é impossível se ter conhecimento no fluxo, é necessária uma certa estabilidade: um conhecimento só é verdadeiramente científico a este preço ou sob esta condição.