Autor: Jeferson de Moraes Reis Resumo:A presente dissertação analisa o ideário político-pedagógico de Platão em seus diálogos A República e As Leis, buscando compreender suas implicações para o Ensino de Filosofia na educação brasileira contemporânea. O trabalho investiga a hipótese de ser possível traçar um paralelo, com as devidas ressalvas de contexto, entre os modelos de educação integral platônico e a proposta atual brasileira, tensionada pelas diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e pelo Novo Ensino Médio (NEM). A
pesquisa se justifica pela relevância perene das reflexões platônicas sobre o propósito da educação, a busca pela verdade (episteme) e a formação ética, em contraste com a crítica do filósofo à instrumentalização do ensino, a exemplo da retórica sofística. O
objetivo principal é examinar como as ideias platônicas podem fundamentar a formação crítica e a emancipação intelectual do estudante, promovendo a cidadania e a justiça social. O percurso metodológico inclui a análise da crítica de Platão à paideía ateniense e sua proposta de ascensão da alma da ignorância (doxa) ao conhecimento do Bem, a partir da qual se estabelece o referencial teórico que orienta a revisão histórica do ensino de Filosofia no Brasil, desde o período colonial até o “Novíssimo” Ensino Médio (Lei nº 14.945/2024). A análise revela uma tensão histórica no cenário
brasileiro entre a concepção formativa da Filosofia e uma abordagem pragmática que a fragmenta e dilui, risco que a seu modo Platão, igualmente, denunciou em sua época. Conclui que o ideário platônico oferece subsídios conceituais para reposicionar a Filosofia como eixo central de uma formação genuinamente integral, ética e transformadora, capaz de transcender a mera preparação para o mercado de trabalho