Autor: Jacson Albernaz Junior Resumo: Este trabalho investiga, a partir da teoria crítica adorniana, as condições que permitem o recrudescimento do fascismo ao longo do tempo. Partindo da crítica de Adorno e Horkheimer à razão instrumental, examina-se como o esclarecimento, em vez de promover emancipação, realizou-se dialeticamente como barbárie, instaurando formas de dominação sobre a natureza externa e interna. A pesquisa analisa a indústria cultural como mecanismo de integração social no capitalismo monopolista, destacando a padronização da experiência e a neutralização da negatividade, o que ocasiona, consequentemente, o enfraquecimento do indivíduo moderno, que originalmente se caracterizaria pela racionalidade e autonomia, transformando-o em massa. Além disso, atualiza-se esse conceito no contexto neoliberal, marcado pela internet e pela lógica de extração de dados. No mundo digital, discute-se o enfraquecimento do eu em um cenário em que a fragmentação da atenção e a colonização da experiência pelo algoritmo evidenciam novas formas de comunicação que favorecem a perda da singularidade do sujeito. Analisa-se, ainda, como tais processos potencializam novas formas de propaganda fascista, baseadas na segmentação algorítmica, em apelos afetivos e na construção de inimigos difusos. Conclui-se que a crítica adorniana permanece atual para compreender os riscos de regressão social e política no presente, indicando a necessidade de resgatar o pensamento crítico e reflexivo como condição para a emancipação.